Torcer por um time de futebol é mágico: você assiste aos jogos, fica de olho nas contratações, reserva um horário no domingo e na quarta-feira em frente ao sofá para sofrer e acorda, dia seguinte, com aquela cara de quem precisa dormir mais um pouco.
Existe torcedor que gosta de futebol e acompanha o campeonato. Existe torcedor (e eu me incluo nessa classe) que, além disso, torce, xinga, vai ao trabalho (ou à escola) pensando ainda como o resultado poderia ter sido diferente se acontecesse determinada situação, discute a rodada com os amigos e, mais que tudo, adora acompanhar o clube ao vivo e à cores, esteja ele bem ou mal. Aliás, ir à campo é a “cereja” do bolo no futebol na minha opinião, mesmo as pessoas dizendo que na verdade, é ganhar o título. Poucas coisas são mais emocionantes que se reunir com um monte de gente desconhecida, gritar o nome dos jogadores, pular feito um louco nas arquibancadas e, claro, soltar o grito de gol junto à galera. E mesmo que o jogo não seja dos melhores, depois de uns dias, tudo passa, e lá estamos nós de novo, enfrentando a mesma maratona...
Certa vez, fui eu experimentar desse ópio. São Paulo x Ipatinga, 18 horas, domingão. Pra mim, três pontos na conta, goleada, fora o show do tricolor. Mas sempre tem um mais realista que teima em botar a gente de volta no mundo real.
- Sei não hein, do jeito que o São Paulo tá, um a zero já é bom... - disse meu pai.
Eu, particularmente, adoro ver o meu time ganhar. No estádio, o jogo em si nem prende tanto a minha atenção... a torcida cantando, pulando, gritando o nome do jogador, do técnico... sem brincadeira, isso me fascina.
E não foi diferente naquele dia. Sentados, vendo o pôr-do-sol (não é nenhum exagero dizer que a gente realmente viu o pôr-do-sol; a grande Estrela estava justo na nossa cara), percebendo a agitação daqueles que chegavam, dos que já estavam lá a mais tempo, dos vendedores de sorvete, salgadinhos e kits para “sobrevivência” (sim, nesse futebol globalizado de hoje, encontramos Habib’s em caixa até no Morumbi), das crianças, dos adultos, enfim, estávamos presenciando um show, e um show que não se restringe a são-paulinos – imagino que os palmeirenses, corintianos e santistas, pelo menos os mais fanáticos, sintam o mesmo que eu. Veja bem: somos todos iguais, só temos gostos diferentes! Acho, com o perdão da palavra, uma retardadice estranhar-se com um completo anônimo só porque ele torce por outro time; aliás, hoje em dia, não é necessário nem torcer contra para que briguem! Vai entender...
Sim, fico triste quando vejo o Morumbi vazio. Eu mesmo já estive lá entre 70 mil pessoas, e tive de suportar um público de apenas 12 mil. Pelo menos nós – incluindo meu pai e meu irmão – estávamos no setor lotado, que não parava de cantar. E o engraçado é que, nessas horas, todo mundo vira técnico: é um gritando pra passar pra cá, o outro mandando o Muricy tirar não sei quem e, claro, quem termina como culpado é o árbrito (pensando bem, aquele era muito ruinzinho mesmo). Mas o que eu acho mais engraçado é quando a torcida se revolta: meu Deus, tinha palavrão que eu nem sabia que existia! Bem, sabedoria nunca é de mais, certo?
O jogo? Ah, pois é, o jogo. Infelizmente, eu tenho de tirar o chapéu pro meu pai: a partida foi horrível, tomamos um empate no finalzinho, e alguns jogadores culparam a torcida, que não apoiava o time... na verdade, eu acho que eles tinham mais é que agradecer por termos comparecido em tão pouco número – porque não acho que tenham merecido tanto. Mas foi como eu disse: dia seguinte, lá estamos nós, sofrendo e torcendo novamente, como se nada houvesse acontecido...
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2 comentários:
Aiaiai... texto sobre futbol? tem que ser seu né Caio? Ficou muito bom... rsrsrs
Gostei do texto; com uma ressalva, é claro (a mais óbvia e menos lógica: pô, meu, São Paulo?)...
Meu marido também adora futebol. Mas ele fez a escolha acertadíssima de torcer para o Curingão. Nem sofremos, não é? E, como você disse: apesar do sofrimento, estaremos lá, novamente, torcendo...
Confesso que nunca fui a um estádio. Não me atrai, assim como não me atrai qualquer outro tipo de multidão.
Meu sofrimento é mais contido.
De qualquer forma, apreciei sua descrição. Até deu uma pontinha de vontade de saber como é a sensação de ir a um Morumbi.
É isso.
Abração.
Prô Rosângela.
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