sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Ah, o dia 23...

23 de novembro de 2008. 13 horas. Para muitos, o momento pelo qual investiram tempo, dinheiro e dedicação por toda a vida. Para outros, a hora em que o macarrão será servido no domingão. Sim, a Fuvest está aí, tudo o que você aprendeu será posto à prova. Motivo para desespero? Não, muito pelo contrário.
Nessas épocas, os jornais colocam como manchete o desespero de alunos, as últimas estudadas, nível de stress lá em cima, enfim, como se a véspera fosse tão (ou mais) importante que o dia do exame. Eu, particularmente, discordo de tudo isso aí. É claro que os dias que antecedem a prova são importantes, não para estudar, mas sim para relaxar. Isso mesmo, relaxar. Pense bem: um ano intenso, com horas a mais na escola, provas atrás de provas... não são dois, três dias que ditarão o seu destino daqui para frente. O intelectual já foi bastante lapidado; é preciso, portanto, preparar o lado emocional (porque sim, ele pesa bastante na hora da prova). Eu posso ouvir muitos xingamentos pelo o que vou dizer, mas o importante é pensar na Fuvest como mais uma. Não estou dizendo para deixá-la de lado e ir todo desleixado preencher o gabarito; estou dizendo para ter em mente que não passar não é o fim do mundo, mesmo porque estamos falando de algo muito concorrido.
No mais, é isso aí, leve lápis, borracha, caneta, água, um pacote de Bis e uma boa dose de calma. Para aqueles que tentarão passar para a segunda fase, boa prova! Para os que não, bom almoço!

Caio C. Castro - 3º EM.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

A inominá

O convidado da semana é Charles Bonares; confira o texto dele e uma breve descrição sua logo abaixo:


[Charles Bonares, outubro, 5] Meus dias acontecem dentro de mim,

e, de tão próximos, parecem maiores.

Surpreendo-me com a realidade transigindo

quando eu mesmo contava meus mortos no quintal.

Na verdade, estes mortos voltaram para a terra,

e alimentam meus minutos antes de eu ir também.

Assim não são as coisas que parecem,

e a certeza insuspeitável da mudança ressurge.

Deglutem-se as matérias e os pensamentos

ainda que as palavras tentem traduzir o indizível:

esta sensação de que os dias me consomem

enquanto consumo meu passado no quintal

e este desaparece sob o peso leve das eras.

Ilustre, meu comedimento me alegra por inteiro.

Palavras, palavras, meras palavras!
Nunca o mesmo e igual sempre, resisto.


Charles Bonares, 27, é professor de Língua Portuguesa formado pela USP, mas sabe falar mais algumas "trocentas" línguas. Além disso, escreve para o blog Chiadofone (http://chiadofone.blogspot.com/).