O convidado da semana é Charles Bonares; confira o texto dele e uma breve descrição sua logo abaixo:
[Charles Bonares, outubro, 5] Meus dias acontecem dentro de mim,
e, de tão próximos, parecem maiores.
Surpreendo-me com a realidade transigindo
quando eu mesmo contava meus mortos no quintal.
Na verdade, estes mortos voltaram para a terra,
e alimentam meus minutos antes de eu ir também.
Assim não são as coisas que parecem,
e a certeza insuspeitável da mudança ressurge.
Deglutem-se as matérias e os pensamentos
ainda que as palavras tentem traduzir o indizível:
esta sensação de que os dias me consomem
enquanto consumo meu passado no quintal
e este desaparece sob o peso leve das eras.
Ilustre, meu comedimento me alegra por inteiro.
Palavras, palavras, meras palavras!
Nunca o mesmo e igual sempre, resisto.
Charles Bonares, 27, é professor de Língua Portuguesa formado pela USP, mas sabe falar mais algumas "trocentas" línguas. Além disso, escreve para o blog Chiadofone (http://chiadofone.blogspot.com/).
Um comentário:
Oi, Charles!
Gostei muito mesmo dos dois primeiros versos do seu poema. Dizem muita coisa por meio de uma idéia singela.
Parabéns. :)
Um grande abraço.
Rosângela (do Col. Rícaro)
Postar um comentário