terça-feira, 11 de novembro de 2008

A inominá

O convidado da semana é Charles Bonares; confira o texto dele e uma breve descrição sua logo abaixo:


[Charles Bonares, outubro, 5] Meus dias acontecem dentro de mim,

e, de tão próximos, parecem maiores.

Surpreendo-me com a realidade transigindo

quando eu mesmo contava meus mortos no quintal.

Na verdade, estes mortos voltaram para a terra,

e alimentam meus minutos antes de eu ir também.

Assim não são as coisas que parecem,

e a certeza insuspeitável da mudança ressurge.

Deglutem-se as matérias e os pensamentos

ainda que as palavras tentem traduzir o indizível:

esta sensação de que os dias me consomem

enquanto consumo meu passado no quintal

e este desaparece sob o peso leve das eras.

Ilustre, meu comedimento me alegra por inteiro.

Palavras, palavras, meras palavras!
Nunca o mesmo e igual sempre, resisto.


Charles Bonares, 27, é professor de Língua Portuguesa formado pela USP, mas sabe falar mais algumas "trocentas" línguas. Além disso, escreve para o blog Chiadofone (http://chiadofone.blogspot.com/).

Um comentário:

Anônimo disse...

Oi, Charles!

Gostei muito mesmo dos dois primeiros versos do seu poema. Dizem muita coisa por meio de uma idéia singela.
Parabéns. :)

Um grande abraço.
Rosângela (do Col. Rícaro)